quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Quartos em Mim




Meu coração tem muitos quartos
Em cada quarto um morador amado
São amigos, amores, gente especial, pessoas cheias de luz

Meu coração tem corredores e salas
Lá correm e brincam as crianças, tantas crianças que já nem sei quantas
São pequenos sem lar, são pequenos com muitos lares

Habita em mim um povo diversificado que em comum tem uma alma cheia de amor
São todos lindos, independente de sua aparência física
São todos inteligentes, independente do grau de estudo, aprenderam com a vida 

Às vezes sou toda alma, outras vezes sou toda razão
Quando sou alma, meus quartos estão todos ocupados
Quando sou razão, alguém tirou férias e viajou

O mais interessante é que nunca esgotam as vagas
Para gente de bem, para o amor e carinho
Há sempre um novo quarto em construção.

sábado, 2 de abril de 2011

Coração

Ártemis ordenou que a lua de prata fosse ao encontro de estrelas coloridas e no éter iniciais de teu nome gravassem.
No mar iluminado, meu náufrago coração alimentava aos peixes e rosas oferecia a Hades.
Tudo enquanto moiras separavam alma e corpo desta que te ama. 

terça-feira, 22 de março de 2011

Tem Dias

Tem dias que a gente acorda assim: um sorriso escancarado no rosto, uma alma cheia de sol e o aroma das flores exalando forte de nosso corpo... Saímos para o mundo abraçando árvores, amando todos os seres com um amor maternal, primaveril. Enfim, o mundo desabrocha em nós.
Também há dias que acordamos com a tempestade dentro de nós, a ira das tormentas, a energia eólica a mover o corpo, a mente, todas as idéias. O cheiro é de terra molhada, cheiro de chuva na estiagem... Saímos para o mundo pisando forte, derrubando obstáculos, pessoas e o que for que nos impeça de alimentar os desejos da psique feroz. Enfim, nós desabrochamos no mundo.
Algumas pessoas são muitas pessoas e não estou falando de esquizofrenia, bipolaridade, TOC e outras doenças. Falo de pessoas que se reinventam para atravessar as adversidades da vida, para se nutrir de luz e criar muitos braços, muitas mãos e muito colo. Carregam em si a pretensão de receber aos insanos, aos rotos, aos que penam uma dor insuportável, tentar alimentá-los de fé em algo que os encoraje a caminhar. Tendo dado tudo de sua alma, nada lhes resta que não seja recolher seus próprios pedaços e reconstruir, reiniciar todo o processo. Como a Fênix, das cinzas ressurgindo, do fogo morrendo... 

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Tempestade em Mim

E a tempestade veio...
Eu ali, imóvel, olhando a correnteza levar pedaços dessa minha alma, estilhaços de meu sorriso, cacos de inocência que estavam guardados nos porões da infância. E eu ali, olhando a animosidade arrancar a criança que brincava de ciranda no meu coração.
E a tempestade mostrou seus olhos...
Olhos de fúria, crispados, insanos, mirando os meus que já não avistavam mais os da tormenta. Minha visão não era mais parte daquele quadro, ela corria para ver se alcançava a menina que partia a passos largos, quase pulos. Que busca vã, a pequena não iria parar tomada de medo que estava.
E a tempestade mostrou suas armas...
Não eram punhais, mas cortavam mesmo assim, e a incisão foi maior no espírito do que na carne. A carne cicatrizou, a sede dos afetos dá sinais de que jamais o fará.
Então os ventos pararam, partiram e eu fiquei ali, inerte, tentando juntar os restos de meu mundo rasgado.
Foi quando meus olhos começaram a chover toda chuva do mundo e minhas pernas caminharam até as margens do rio, queriam entrar na água doce para aplacar o sal das lágrimas.
O dia tomava o lugar da noite quando parei de encher o rio. Olhei para o lado e percebi a presença da menina que estendia a mão. Foi assim que fui para casa, foi assim que voltei ao mundo, segurando firme a mão da menina para que ela não mais saísse de mim.