domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Tempestade em Mim

E a tempestade veio...
Eu ali, imóvel, olhando a correnteza levar pedaços dessa minha alma, estilhaços de meu sorriso, cacos de inocência que estavam guardados nos porões da infância. E eu ali, olhando a animosidade arrancar a criança que brincava de ciranda no meu coração.
E a tempestade mostrou seus olhos...
Olhos de fúria, crispados, insanos, mirando os meus que já não avistavam mais os da tormenta. Minha visão não era mais parte daquele quadro, ela corria para ver se alcançava a menina que partia a passos largos, quase pulos. Que busca vã, a pequena não iria parar tomada de medo que estava.
E a tempestade mostrou suas armas...
Não eram punhais, mas cortavam mesmo assim, e a incisão foi maior no espírito do que na carne. A carne cicatrizou, a sede dos afetos dá sinais de que jamais o fará.
Então os ventos pararam, partiram e eu fiquei ali, inerte, tentando juntar os restos de meu mundo rasgado.
Foi quando meus olhos começaram a chover toda chuva do mundo e minhas pernas caminharam até as margens do rio, queriam entrar na água doce para aplacar o sal das lágrimas.
O dia tomava o lugar da noite quando parei de encher o rio. Olhei para o lado e percebi a presença da menina que estendia a mão. Foi assim que fui para casa, foi assim que voltei ao mundo, segurando firme a mão da menina para que ela não mais saísse de mim.