segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Nossos pais serão sempre os nossos pais, independente de brigas, normas e preconceitos, quando eles desencarnarem, então entenderemos a falta de cada um dos abraços e sorrisos que deixamos de lhes dar, mesmo tendo dado todos que achávamos necessários.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Abrindo Espaços

Na rua escura marco a calçada com passos pesados, de quem carrega um mundo em si.
A cabeça ora vazia, ora transbordando, ora boiando no rio ao lado do reflexo da lua.
Muitas luas, muita água, muitas noites... Tantos passos...
Uma procura infinita do meu lugar, minha casa, minha gente, meus cheiros – aromas de vida.
Talvez fosse o momento de começar a me desfazer de coisas para dar espaço aos sentimentos e ao conhecimento.
Tenho uma sede e uma fome infinda do saber de tudo sobre qualquer todo que exista, como um buraco negro a engolir o que me entra pelos ouvidos, olhos, narinas, poros, pêlos, cabelos. Consome tudo que gruda no suor de meu corpo, então fico faminta e saio à cata de informações.
Observo pessoas, cães, gatos, seja o que for, pois nada é de fato o que de verdade nos parece ser. Tudo é fragmento.
Esvazio as mãos, tiro os sapatos, despida de roupas, nua de preconceitos, flutuo no rio e lavo tudo da alma, até você...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O Pão, o Presunto e o Tomate

Estava lendo um comentário a respeito do lanche fornecido aos brigadianos escalados para a final da Libertadores. Tenho que parabenizar quem fez a foto, se a intenção era criar impacto no público ela atingiu plenamente a sua função, mas o pequeno texto me levou a uma reflexão maior que a perna de um brigadiano numa cadeira rasgada e com um sanduíche aberto expondo suas “vísceras”. Pensei no associativismo e na função prática e real que uma instituição agregadora de uma determinada classe deveria cumprir. Defendendo uma classe, como instituição existente para tal e até para dar retorno ao benefício financeiro que recebe dos associados, a entidade tem o dever de trabalhar para buscar soluções que melhorem a vida dessas pessoas, precisa prever incidentes antes que se tornem fatos. Nesse caso específico a quem realmente interessa a exposição e o alarde criado ao redor do acontecimento? Não teria sido melhor evitar o fato e quem sabe até ter impedido o mesmo, do que expor toda uma corporação à humilhação pública? Humilhação pública sim, pois só foi reforçado o padrão de “somos brigadianos pobres e miseráveis, coitados de nós”. A Brigada Militar é uma instituição hierárquica, mas faz algum tempo que já não vivemos a ditadura e hoje até as instituições militares trabalham a gestão de seus recursos humanos. A ABAMF chegou a procurar os organizadores da segurança do evento e discutir a respeito de como o trabalho iria acontecer, jornada, escala e até mesmo os detalhes de refeição, ou preferiu calar e omitir-se até que se criasse um fato constrangedor como esse? Não poderia ser previsto? Claro que poderia, a não ser que assuntos mais relevantes que um sanduíche para quem vai trabalhar por até 16 horas tivessem prioridade ou quem sabe a acomodação que lanches de melhor qualidade, servidos em eventos passados, tenha adormecido a vigilância necessária àqueles que defendem uma classe.
Nossos brigadianos são muito mais que um sanduíche sobre uma perna e independente do posto que ocupem, são profissionais valorosos dignos de respeito. Merecem uma entidade que defenda realmente seus interesses e não que os use para fazer politicagem, pois para isso já temos os marginais que se dizem inocentes, mesmo com uma arma na mão e muitas drogas no bolso. Pensem nisto antes que bandidos digam que a comida dos cães é melhor que a dos soldados.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Tantos caminhos desenhei para percorrer,
Tantas esquinas, tantas curvas com este traço inexato.
Espalhei sementes que não vingaram, plantei mudas que ao invés de crescerem
Morreram à míngua por falta de cuidado, eu estava ocupada desenhando novos trajetos.
Não ergui prédios, casas, choupanas.
Não queria companhia neste meu andar, não pretendia morar, só queria caminhar, caminhar...
Não contei minutos, tão pouco horas e dias, só queria estar a rabiscar.
Hoje parei, respirei fundo, girei em meus pés.
Suspirei estarrecida. Era um caminho vazio, chão batido, areia, pó.
Tudo seco, como seca eu mesma estava.
Descobri que não poderia voltar e refazer, desenhei tudo com caneta.
Agora meus traços são feitos com lápis.

terça-feira, 2 de março de 2010

Teste de Paciência

Geralmente não publico artigos nem a minha opinião nesse blog que até hoje foi usado como divertimento, mas hoje resolvi abordar um tema diferente e talvez o faça mais algumas vezes.
Enfim, o nome do blog é Marcia Escreve.

“A inveja não é querer o que o outro tem. É querer que o outro não tenha.”

Tenho assistido a “batalha”, que parece interminável, contra a proposta do governo de reajuste salarial para a Brigada. Vejo um esforço e boa vontade da parte do atual governo e do presidente da Assembléia Legislativa, mas paciência tem limite. Tenho conhecidos que são brigadianos e que, em conversa recente, relataram que esta é uma discussão político partidária, ou seja: não interessa se soldados ou oficiais perdem, interessa é provar uma força política das associações e seus presidentes, alguns inclusive colados em suas cadeiras presidenciais ad aeternum, enquanto isso o tempo passa, a disposição do governo e dos contribuintes que são obrigados a assistir essa disputa vai se esgotando.
Pelo que me consta, este é o melhor reajuste dos últimos tempos e os soldados que recebem o menor salário estão assistindo ao bater de asas dele. Ano eleitoral, urge que se chegue a um acordo antes que expire o prazo e o governo desista de negociar. As mesmas pessoas que reclamam dos 19,9% que foi proposto para os oficiais superiores, já receberam esse valor anteriormente e terão um reajuste salarial. O problema é o que os outros irão ganhar, a malvada da inveja que faz com que se olhe sempre para o quintal verde e florido do vizinho e não se faça nada para melhorar o seu. Ora, existe uma hierarquia. Os oficiais chegaram lá por merecimento ou por antiguidade. Em todas as profissões existem salários diferentes, um professor sem pós graduação ganha menos que um com mestrado que por sua vez tem salário inferior ao daquele com doutorado.
Com relação aos 11% de contribuição, já é este percentual em outros estados e a maioria dos cidadãos colabora com este percentual para previdência. É outra legislação? É. Por esse mesmo motivo irão receber uma aposentadoria maior do que a da previdência social.
Sou uma cidadã e como tal sou política, mas não sou partidária. Não defendo nenhum governo e não tenho costume de levantar bandeiras em defesa disto ou daquilo, pago meus impostos, levanto todos os dias para trabalhar e contribuir com a sociedade. Acredito que os brigadianos deveriam receber um salário bem melhor, aliás, o salário mínimo deveria ser maior também, os impostos deveriam ser menores e deveríamos receber em troca deles saúde, educação, segurança e tal, mas nem tudo é justo.
Acredito que o governo deveria ter vontade política suficiente para separar a proposta em duas, antes que a própria corporação se quebre, rachada já está.
Deixo minha sugestão para os soldados, sargentos, subtenentes e tenentes: “É melhor um pássaro na mão que dois voando” e aconselho todos a lerem A Arte da Guerra.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Reflexo

Olhou-se no espelho e o que viu refletido não era sua imagem, mas a de outra pessoa.
Ficou ali, em pé, imóvel, começou a ver cenas de sua vida, como se assistisse a um filme.
Olhava sem entender o que se passava dentro de si. Sentiu prazer, alegria, calor, dor e subitamente foi tomada de compaixão e afeto.
Quando, finalmente, viu-se refletida no espelho, escorriam lágrimas de seus olhos. Seu corpo cambaleava trêmulo.
Sentiu vergonha e ouviu a chuva que batia violentamente nas vidraças.