Na rua escura marco a calçada com passos pesados, de quem carrega um mundo em si.
A cabeça ora vazia, ora transbordando, ora boiando no rio ao lado do reflexo da lua.
Muitas luas, muita água, muitas noites... Tantos passos...
Uma procura infinita do meu lugar, minha casa, minha gente, meus cheiros – aromas de vida.
Talvez fosse o momento de começar a me desfazer de coisas para dar espaço aos sentimentos e ao conhecimento.
Tenho uma sede e uma fome infinda do saber de tudo sobre qualquer todo que exista, como um buraco negro a engolir o que me entra pelos ouvidos, olhos, narinas, poros, pêlos, cabelos. Consome tudo que gruda no suor de meu corpo, então fico faminta e saio à cata de informações.
Observo pessoas, cães, gatos, seja o que for, pois nada é de fato o que de verdade nos parece ser. Tudo é fragmento.
Esvazio as mãos, tiro os sapatos, despida de roupas, nua de preconceitos, flutuo no rio e lavo tudo da alma, até você...
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
O Pão, o Presunto e o Tomate
Estava lendo um comentário a respeito do lanche fornecido aos brigadianos escalados para a final da Libertadores. Tenho que parabenizar quem fez a foto, se a intenção era criar impacto no público ela atingiu plenamente a sua função, mas o pequeno texto me levou a uma reflexão maior que a perna de um brigadiano numa cadeira rasgada e com um sanduíche aberto expondo suas “vísceras”. Pensei no associativismo e na função prática e real que uma instituição agregadora de uma determinada classe deveria cumprir. Defendendo uma classe, como instituição existente para tal e até para dar retorno ao benefício financeiro que recebe dos associados, a entidade tem o dever de trabalhar para buscar soluções que melhorem a vida dessas pessoas, precisa prever incidentes antes que se tornem fatos. Nesse caso específico a quem realmente interessa a exposição e o alarde criado ao redor do acontecimento? Não teria sido melhor evitar o fato e quem sabe até ter impedido o mesmo, do que expor toda uma corporação à humilhação pública? Humilhação pública sim, pois só foi reforçado o padrão de “somos brigadianos pobres e miseráveis, coitados de nós”. A Brigada Militar é uma instituição hierárquica, mas faz algum tempo que já não vivemos a ditadura e hoje até as instituições militares trabalham a gestão de seus recursos humanos. A ABAMF chegou a procurar os organizadores da segurança do evento e discutir a respeito de como o trabalho iria acontecer, jornada, escala e até mesmo os detalhes de refeição, ou preferiu calar e omitir-se até que se criasse um fato constrangedor como esse? Não poderia ser previsto? Claro que poderia, a não ser que assuntos mais relevantes que um sanduíche para quem vai trabalhar por até 16 horas tivessem prioridade ou quem sabe a acomodação que lanches de melhor qualidade, servidos em eventos passados, tenha adormecido a vigilância necessária àqueles que defendem uma classe.
Nossos brigadianos são muito mais que um sanduíche sobre uma perna e independente do posto que ocupem, são profissionais valorosos dignos de respeito. Merecem uma entidade que defenda realmente seus interesses e não que os use para fazer politicagem, pois para isso já temos os marginais que se dizem inocentes, mesmo com uma arma na mão e muitas drogas no bolso. Pensem nisto antes que bandidos digam que a comida dos cães é melhor que a dos soldados.
Nossos brigadianos são muito mais que um sanduíche sobre uma perna e independente do posto que ocupem, são profissionais valorosos dignos de respeito. Merecem uma entidade que defenda realmente seus interesses e não que os use para fazer politicagem, pois para isso já temos os marginais que se dizem inocentes, mesmo com uma arma na mão e muitas drogas no bolso. Pensem nisto antes que bandidos digam que a comida dos cães é melhor que a dos soldados.
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