quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O Pão, o Presunto e o Tomate

Estava lendo um comentário a respeito do lanche fornecido aos brigadianos escalados para a final da Libertadores. Tenho que parabenizar quem fez a foto, se a intenção era criar impacto no público ela atingiu plenamente a sua função, mas o pequeno texto me levou a uma reflexão maior que a perna de um brigadiano numa cadeira rasgada e com um sanduíche aberto expondo suas “vísceras”. Pensei no associativismo e na função prática e real que uma instituição agregadora de uma determinada classe deveria cumprir. Defendendo uma classe, como instituição existente para tal e até para dar retorno ao benefício financeiro que recebe dos associados, a entidade tem o dever de trabalhar para buscar soluções que melhorem a vida dessas pessoas, precisa prever incidentes antes que se tornem fatos. Nesse caso específico a quem realmente interessa a exposição e o alarde criado ao redor do acontecimento? Não teria sido melhor evitar o fato e quem sabe até ter impedido o mesmo, do que expor toda uma corporação à humilhação pública? Humilhação pública sim, pois só foi reforçado o padrão de “somos brigadianos pobres e miseráveis, coitados de nós”. A Brigada Militar é uma instituição hierárquica, mas faz algum tempo que já não vivemos a ditadura e hoje até as instituições militares trabalham a gestão de seus recursos humanos. A ABAMF chegou a procurar os organizadores da segurança do evento e discutir a respeito de como o trabalho iria acontecer, jornada, escala e até mesmo os detalhes de refeição, ou preferiu calar e omitir-se até que se criasse um fato constrangedor como esse? Não poderia ser previsto? Claro que poderia, a não ser que assuntos mais relevantes que um sanduíche para quem vai trabalhar por até 16 horas tivessem prioridade ou quem sabe a acomodação que lanches de melhor qualidade, servidos em eventos passados, tenha adormecido a vigilância necessária àqueles que defendem uma classe.
Nossos brigadianos são muito mais que um sanduíche sobre uma perna e independente do posto que ocupem, são profissionais valorosos dignos de respeito. Merecem uma entidade que defenda realmente seus interesses e não que os use para fazer politicagem, pois para isso já temos os marginais que se dizem inocentes, mesmo com uma arma na mão e muitas drogas no bolso. Pensem nisto antes que bandidos digam que a comida dos cães é melhor que a dos soldados.

3 comentários:

Rodrigo disse...

Prezada,eu li a respeito do assunto aqui tratado na Zero Hora, vi a foto a que te referes. Confesso que me senti incomodado, só não tinha entendido porque.
Está esclarecido. Meu primeiro pensamento foi que eles eram pobres coitados, miseráveis mesmo e o incômodo vem daí, como que um pobre miserável vai poder garantir minha segurança? A nata da bandidagem que deve ter adorado a notícia que só faltou a tal da associação deles dizer que são uns pés rapados. Uma vergonha o que essa associação dos brigadianos fez com eles. Concordo com a tua opinião, ainda acredito que a maioria dos brigadianos são dignos de respeito e que a brigada é formada por pessoas de valor. Abraço.

Wanderley disse...

Estava lendo este teu texto e percebi que é a segunda vez que escreves sobre a brigada e os brigadianos. Te pergunto: és brigadiana ou casada com um? Gosto dos teus textos, mas prefiro quando não és política. Fiquei muito curioso.

Marcia Terra disse...

Oi Wanderlei! Obrigada pelo seu comentário, embora ele trate mais de mim do que do texto em si. Vou satisfazer a tua curiosidade: não, eu não sou brigadiana, também não sou casada com um militar. Escrevo sobre o tema porque tenho interesse em segurança pública e no dinheiro que o estado gasta quando entra em infindáveis negociações que mais parecem negociatas (no caso do texto anterior sobre o ajuste salarial dos oficiais). Também sou uma pessoa de forte tendência associativa e entendo de associações de classe, fico doente quando observo uma entidade "sacaneando" seus associados em prol da política ao redor de seu presidente. Quanto aos meus escritos, mesmo os mais poéticos são políticos porque é a nossa natureza. A diferença é que neles sou apartidária ou tomo o partido dos meus devaneios. Leia o que te agrada e acrescenta algum sentimento bom ao teu espírito, seja feliz.