terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

O Brinde

Quase morro tamanho a exaustão de meu riso.
Enquanto alguns fazem brindes a vida, brindo a dama de negro que anda comigo, mas não me dá a mão.
Aquela que deita todas as noites ao meu lado no lugar que antes pertencia ao posseiro de meu coração, meu corpo.
Ela não toca meu corpo, não dorme, mas vela meu sono e todos os dias quando acordo, olho o negrume de seus olhos e pergunto a mim mesma qual pedaço do meu coração será que ela irá arrancar hoje.
Esta senhora que não toca meus lábios, não me dá o deleite de seu beijo frio e ainda assim, não me abandona.
Brindo a esta dona que no fundo é também dona minha.
Vive brincando com minha alma como quem brinca de esconder e quando ouso estender-lhe a mão... Foge alucinadamente de mim.
Ela tem medo, eu não!
Diferentemente de muitos, não temo o inverno gélido que ela traz. O vento eterno e os dias infindos, sombrios...
Não me entendas mal, acho a vida cheia de grandiosidade e merecedora de inúmeros brindes, mas esta dama, esta que está ao meu lado sempre e a distância tênue de um fio de seda...
Esta minha sedutora companheira põe fim a todos os incômodos da vida, acaba com a fome, acaba com a dor (a da alma e a do corpo), sem falar que nos poupa das rugas e das agruras do envelhecer.
A Morte, esta é a imagem da eternidade.

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