terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

O Prostíbulo




A mulher de lábios vermelhos, unhas mal pintadas, vestes atrevidas, parada na porta da casa duvidosa chamava os homens prá si. Insinuante tortura de corpos e gostos, cabelos desleixados e multicoloridos num variante de loiro branco até o preto das raízes. No espaço central da casa, música alta e ruidosa, o ar sufocante carregado de névoa e odores declarava o fumo, o perfume e as bebidas baratas, o suor dos corpos. Nos quartos os gemidos, sussurros, uivos e por que não dizer o barulho dos corpos em orgias carnais. Da janela do prédio da frente enxergava-se os corpos e seus malabarismos sexuais... Num dos aposentos, quase um vestíbulo imundo, dois homens a currar a mesma mulher que se distorcia em movimentos frenéticos que me faziam crer que o prazer era verdadeiro, embora soubesse que era encenação.Espetacular mesmo era a dona do quarto ao lado que variava em atender homens e lésbicas e o fazia por puro prazer. Era diferente das outras essa "dona". Sua aparência bem cuidada dizia que não pertencia àquele antro de luxúria. Não Havia como observá-la sem sentir um prazer que só deveria pertencer aos deuses, nunca aos mortais, tamanha intensidade.Quando beijava outras mulheres - sim ela beijava a boca da mesma maneira que se perdia entre as pernas, grandes e pequenos lábios - e com uma sofreguidão que acelerava o coração de qualquer pessoa que assistisse à cena. Deslizava sua boca e suas mãos pelo corpo da outra como se fosse o seu próprio.Assim também o fazia com os homens. Era como se os falos intumescidos já fossem uma extensão de seu próprio corpo, a destreza com que os sugava, pegava e sentava-se neles me levavam a uma profunda intuspecção que me fez perguntar se na cena que assistia era ela ou eu?

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