terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Tu em mim

Amo-te mais hoje do que no pretérito de meus anos quando tinha teus braços para enredar meu corpo.
Amo-te de forma anoética.
E te amo além de mim.
E te conheço.
Conheci-te mais enquanto matéria intangível ao meu corpo, pois te sinto mais alma.
Hoje sei de mim que poderei amando a muitos continuar a te amar perenemente, como jamais houvesse amado a outrem porque esgrafitado está em meu coração.
E te quero.
Como quero as manhãs, os entardeceres, as noites, as madrugadas e todas as primaveras febris, verões escaldantes, outonos dourados e invernos gélidos e brancos.
E te penso.
Todos os dias, todos instantes, a cada piscar de olhos, cada respiração.
E te sorvo.
Como água fosse teu espírito, seiva de vida, que me permite renascer a cada aurora, desabrochar a cada sol, pois sei que serás alimento deste ser.
E te desejo.
Um desejo vítreo, água límpida. Um desejo que me que faz outorgar qualquer que seja o teu anseio como se fosses um czar e me tivesses não como uma czarina mas uma escrava em tua custódia.
E também te odeio.
Vem a mim a fúria violenta que pede para te esmurregar até quebrar-me os pulsos porque odeio quanto não te mostras desnudo de teus conceitos, princípios de moralidade que não condizem com aquilo que fostes como negasse chagas habitantes de teu imo. Depois numa dor plangente me encolho tal qual feto inerte, morto antes de haver nascido.
Há de um dia um favônio chegar trazendo tua coima.
Como sibila em destemperança inverterei nossas almas.
Eis que te sentirás da mesma forma que te sinto.
E me amarás.
E me conhecerás querendo-me.
E me pensarás.
E serei teu alimento.
E me desejarás para poderes ter-me ódio.
Depois a dor te deixará inerte.
Deitarás novamente em meu ventre, como dali nunca tivesse saído porque sempre amado.
Eis que liberta em mim mesma poderei partir.

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